Planeta sujs

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

No planeta sujs,
ninguém toma banho.
O tempo passa,
o sol esquenta,
o suor vira nhaca,
O chulé aumenta.
dentro das orelhas,
a cera vira crosta.
É um fedor,

mas todo mundo gosta.


Silvestrin, Ricardo
Fonte: Pequenas observações sobre a vida em outros planetas.

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Namoro espinhudo


O porco-espinho
Foi abraçar
A porca-espinha.

Para não ficar
Toda espetadinha
Ela fugiu
Depressinha.
E deixou
O porco-espinho
Se abraçando

Sozinho.

LALAU. 
Fonte: Girassóis.

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A invenção do sapato


Primeiro olhou o pé do mosquito
e achou esquisito.
Depois examinou o pé do cachorro
e disse: “Socorro!”
Já o pé do elefante
achou interessante.
Mas quando juntou
o pé do sapo
e o do pato
que o inventor

chegou ao sapato.

SILVESTRIN, Ricardo. 
Fonte: É tudo invenção.

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A bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.



Cecília Meireles

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A casa e o seu dono

Essa casa é de caco
quem mora nela é o ...

Essa casa tão bonita
quem mora nela é a ...

Essa casa é de cimento
quem mora nela é o ...

Essa casa é de telha
quem mora nela é a ...

Essa casa é de lata
quem mora nela é a ...

Essa casa é elegante
quem mora nela é o ...

E descobri de repente
que não falei em casa de gente.


Elias José

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A porta

Sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Não há nada no mundo
Mais viva que uma porta

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado

Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Eu fecho tudo no mundo
Só vivo aberta no céu!

Vinicius de Moraes

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As borboletas

Brancas
Azuis
E pretas
Brincam na luz
As belas borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!

Vinicius de Moraes

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A centopeia


Quem foi que primeiro
teve a ideia
de contar um por um
os pés da centopeia?

Se uma pata você arranca
será que a bichinha manca?

E responda antes que eu esqueça
se existe o bicho de cem pés

será que existe algum de cem cabeças?

COLASANTI, Marina. 
Fonte: Cada bicho seu capricho.

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Amarelinha

Maré mar
é maré
mare linha
sete casas a pincel.
Pulo paro
e lá vou
num pulinho
segurar mais um ponto
no céu.



Maria da Graça Rios

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Tanta tinta

Ah! Menina tonta,
toda suja de tinta
mal o sol desponta!

(Sentou-se na ponte,
muito desatenta...
E agora se espanta:
Quem é que a ponte pinta
com tanta tinta?...)

A ponte aponta
e se desaponta.
A tontinha tenta
limpar a tinta,
ponto por ponto
e pinta por pinta...
Ah! A menina tonta!
Não viu a tinta da ponte!


Cecília Meireles

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Guaraná com canudinho


Uma vaca entrou num bar
e pediu um guaraná.

O garçom, um gafanhoto,
tinha cara de biscoito.

Olhou de trás do balcão,
pensando na confusão.

Fala a vaca, decidida,
pronta pra comprar briga:

– E que esteja geladinho
pra eu beber de canudinho!

Na gravata borboleta,
gafanhoto fez careta.

Responde: vaca sem grana
se quiser vai comer grama.

– Ah, é?, muge a vaca matreira,
quem dá leite a vida inteira?

– Dou leite, queijo, coalhada,
reclamo, ninguém me paga.

Da gravata, a borboleta
sai voando, satisfeita.

Gafanhoto leva um susto,
acreditando, muito a custo.

E serve, bem rapidinho,

guaraná com canudinho.

CAPPARELLI, Sérgio. 
Fonte: Boi da cara preta.

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Vaca amarela

Vaca amarela
fez cocô na panela,
cabrito mexeu, mexeu,
quem falar primeiro
comeu o cocô dela.

Vaca amarela,
sutiã de flanela,
cabrito coseu, coseu
quem se mexer primeiro
pôs o sutiã dela.

Vaca amarela
fez xixi na gamela,
cabrito mexeu, mexeu,
quem rir primeiro
bebeu o xixi dela.

Vaca amarela
cuspiu da janela,
cabrito mexeu, mexeu,
quem piscar primeiro
lambeu o cuspe dela.


CAPPARELLI, Sérgio. 

Fonte: Boi da cara preta.

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Esquisitices

domingo, 21 de junho de 2015

Em Jataí

é proibido fazer xixi.

Em Catiporâ
é proibido casar com rã.

Em Jaboticabal
é proibido comida com sal.

Em Salvador
é proibido sentir dor.

Em São Expedito
é probido comer mosquito.

Em Guarabobô
é proibido fazer cocô.

Em Guaxupé
é proibido cheirar chulé.

Em Aquidauir
é proibido proibir.

Sergio Capparelli.

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Acidente

sábado, 29 de março de 2014

Gato malhado
subiu no telhado,

caiu na fumaça,
ficou sufocado.

Coitado
do gato malhado!

Morreu defumado!

Maria Dinorah




Ilustração de: Larissa Drescher Murillo

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Ovo do coelho

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Coelho não bota ovo,
quem bota ovo é galinha.
Mas eu conheço um coelho
que é mesmo uma maravilha.

Os ovos que ele bota,
você nem imagina.
São ovos de chocolate
ou ovos de baunilha.

Por isso, nosso coelho
foi expulso da família.
O pai dele disse: - Meu filho,
isso é coisa de galinha.

O coelho respondeu rapidamente:
- Meu pau eu não tenho culpa,
botar ovo é meu destino.
Se não posso botar ovos em casa,
prefiro botar sozinho.

E foi assim que o coelho
saiu de casa para a rua,
botando ovo na Páscoa,
no sonho de todo mundo.

Paulo Leminski

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Meus brinquedos

De repente
Ao lembrar dos brinquedos queridos
Que ficaram esquecidos
Dentro do armário
Me bate uma saudade
Me bate uma vontade
De voltar no tempo
De voltar ao passado
Mas nada acontece
Nada parece acontecer
E eu choro
Choro como o bebê que fui
E a criança que quero voltar a ser
Não quero crescer!

Clarice Pacheco

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Quadrilha da sujeira

João joga um palitinho de sorvete na
rua de Teresa que joga uma latinha de
refrigerante na rua de Raimundo que
joga um saquinho plástico na rua de
Joaquim que joga uma garrafinha
velha na rua de Lili.

Lili joga um pedacinho de isopor na
rua de João que joga uma embalagenzinha
de não sei o que na rua de Teresa que
joga um lencinho de papel na rua de
Raimundo que joga uma tampinha de
refrigerante na rua de Joaquim que joga
um papelzinho de bala na rua de J. Pinto
Fernandes que ainda nem tinha
entrado na história.


Ricardo Azeredo

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Pontinho de vista

Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
- Minha nossa, que grandão!

Pedro Bandeira


              

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Guarda-Chuvas

Tenho quatro guarda-chuvas
todos os quatro com defeito;
Um emperra quando abre,
]outro não fecha direito.

Um deles vira ao contrário
seu eu abro sem ter cuidado.
Outro, então, solta as varetas
e fica todo amassado.

O quarto é bem pequenino,
pra carregar por aí;
Porém, toda vez que chove,
eu descubro que esqueci...

Por isso, não falha nunca:
se começa a trovejar,
nenhum dos quatro me vale -
eu sei que vou me molhar.

Quem me dera um guarda-chuva
pequeno como uma luva
Que abrisse sem emperrar
ao ver a chuva chegar!

Tenho quatro guarda-chuvas
que não me servem de nada;
Quando chove de repente,
acabo toda encharcada.

E que fria cai a água
sobre a pele ressecada!
Ai...

Rosana Rios

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Versinhos difíceis de mastigar

domingo, 15 de agosto de 2010

Tenho um robot cozinheiro,
que cozinha com amor.
Queria ir à fruteira
Mas entrou no ferrador.

E depois, muito confuso,
cozinhou uns chinelos
e um prato de parafusos
no lugar de três marmelos.

Um bolo feito de roscas
decorado com ameixas.
E uma tarte de pregos
com gosto a laranjas frescas.
Mais rodelas de manteiga.

"Que faço com este robot?",
pergunto-me todo dia,
que entrou no ferrador
em vez de entrar na frutaria."

Autor desconhecido

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Canção para ninar dromedário



Drome, drome
Dromedário

As areias
Do deserto
Sentem sono,
Estou certo.

Drome, drome
Dormedário

Fecha os olhos
O beduíno,
Fecha os olhos,
Está dormindo.

Drome, drome
Dromedário

O frio da noite
Foi-se embora,
Fecha os olhos
Dorme agora.

Drome, drome
Dromedário

Dorme, dorme,
A palmeira,
Dorme, dorme,
A noite inteira.

Drome, drome
Dromedário

Foi-se embora
O cansaço
E você dorme
No meu braço.

Drome, drome
Dromedário

Drome, drome
Dromedário

Drome, drome
Dromedário.



Sérgio Capparelli

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Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo, ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

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O que é mãe?


Mãe? O que é mãe?
Pessoa doce?
Tão doce
Que faz passar vergonha
Doce de batata-doce?

Mãe? O que é mãe?
Tão doce
Que se parte
Quando parte,
Melhor seria
Se não fosse.

Mãe? O que é mãe?
Luz muito clara,
Tão clara
Que nos aclara
E, afagando,
nos ampara?

Mãe? O que é mãe?
Tão doce? Tão severa
Se a gente erra!
E que empurra
Se tudo emperra.
Mãe severa?
Mãe doce?
Ou mãe fera?

Nesse teu dia
Te dou jasmim,
Te dou gladíolos,
Te dou beijim,
Assim assado,
Assim, assim.

Sérgio Capparelli

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Dose certa

No Brasil ou lá na China,
na Alemanha ou na Espanha,
tem menino e tem menina
que só sabem fazer manha.

Português,
chinês,
alemão,
espanhol,
etc. e tal.

Não importa a língua falada,
em todo canto do planeta
tem criança birrenta:
não quer isso nem aquilo,
não gosta de nada,
enjoada!

Há quem diga
que o remédio
na dose bem certa,
pra acabar
com a manha
de criança mimada
- como dizia Cecília,
grande poeta -
é uma boa
palmada.

Mas também
há quem diga
que a receita
não é essa,
e só acredita...
numa boa
conversa!

E você, o que
é que acha?

Sônia Barros

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Receita de engolir o mar


o mar ensina
o equilíbrio-desequilíbrio
dos barcos
a rota da calma e do vento
o mar ensina horizontes
vôo e mergulho
o mar ensina tempestade
e silêncio

Roseana Murray

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