Todo porco tem Corpo de corpo. Porque porco. Só tem corpo. Porco mesmo, Tem um pouco Sem ter corpo Não tem porco. Porco a porco E corpo a corpo. Sergio Capparelli Livro: A árvore que dava sorvete. Porto Alegre: Projeto, 1999. | ![]() |
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Os dentes do jacaré

De manhã até a noite,
jacaré escova os dentes,
escova com muito zelo
os do meio e os da frente.
– E os dentes de trás, jacaré?
De manhã escova os da frente
e de tarde os dentes do meio,
quando vai escovar os de trás,
quase morre de receio.
– E os dentes de trás, jacaré?
Desejava visitar
seu compadre crocodilo
mas morria de preguiça:
Que bocejos! Que cochilos!
– Jacaré, e os dentes de trás?
Foi a pergunta que ouviu
num sonho que então sonhou,
caiu da cama assustado
e escovou, escovou, escovou.
jacaré escova os dentes,
escova com muito zelo
os do meio e os da frente.
– E os dentes de trás, jacaré?
De manhã escova os da frente
e de tarde os dentes do meio,
quando vai escovar os de trás,
quase morre de receio.
– E os dentes de trás, jacaré?
Desejava visitar
seu compadre crocodilo
mas morria de preguiça:
Que bocejos! Que cochilos!
– Jacaré, e os dentes de trás?
Foi a pergunta que ouviu
num sonho que então sonhou,
caiu da cama assustado
e escovou, escovou, escovou.
Sérgio Caparelli
Livro: Boi da Cara Preta. LP&M, 1983.
Bicholiques

A vaca amarela, aquela,
Pulou a cancela e a janela.
Porém se estrepou.
Um rato a enxotou
Com um pontapé na canela.
Tatiana Belinky
Livro: Um caldeirão de poemas. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2008.
Namoro espinhudo
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
Pé de gato
Ficou doente o meu gato:
miou, miou,
Deram xarope de leite
e ele só piorou
orou, orou.
"Ele está velho..."
disseram.
"A sua hora chegou..."
E o meu gato
de fato
morreu
como morre um passarinho.
Coloquei ele na caixa
do meu sapato novinho.
Vou enterrar no jardim.
Miau...
Cadê o gato?
Está lá
na caixa de sapato.
E se eu chorar um pouquinho,
meu choro
vai chorar sobre o gatinho.
Com o tempo
e mais uma regadinha,
talvez no jardim
venha a nascer
um pé de gato
ou de jasmin.
E quando o vento chegar,
pra sacudir a folhagem,
o meu jasmin vai miar.
Pedro Bandeira
Livro: Cavalgando o arco-íris. São Paulo: Moderna, 1995
miou, miou,
Deram xarope de leite
e ele só piorou
orou, orou.
"Ele está velho..."
disseram."A sua hora chegou..."
E o meu gato
de fato
morreu
como morre um passarinho.
Coloquei ele na caixa
do meu sapato novinho.
Vou enterrar no jardim.
Miau...
Cadê o gato?
Está lá
na caixa de sapato.
E se eu chorar um pouquinho,
meu choro
vai chorar sobre o gatinho.
Com o tempo
e mais uma regadinha,
talvez no jardim
venha a nascer
um pé de gato
ou de jasmin.
E quando o vento chegar,
pra sacudir a folhagem,
o meu jasmin vai miar.
Pedro Bandeira
Livro: Cavalgando o arco-íris. São Paulo: Moderna, 1995
Zum-zum-zum
O zumbido
Da abelha
Faz coceguinhas
Na orelha.
Lalau
Livro: Bem-te-vi e outras poesias. São Paulo: Companhia das letrinhas, 1994.
Da abelha
Faz coceguinhas
Na orelha.
Lalau
Livro: Bem-te-vi e outras poesias. São Paulo: Companhia das letrinhas, 1994.
Desenhando animais

Com um pincel de pêlo de camelo
desenhei um pássaro.
Soprei três vezes o ar,
e o pássaro saiu voando.
Foi surpreendido pelo verão:
bicava o coração de todas as frutas.
Com um pincel de pena de pássaro
desenhei um camelo.
Golpeei três vezes a terra,
e o camelo saiu andando.
Foi surpreendido pelo inverno:
nevava sobre a porta de sua corcunda.
Roberta Iannamico
Livro: Poema com Sol e Sons
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
A centopeia
Quem foi que
primeiro
teve a ideia
de contar um por
um
os pés da
centopeia?
Se uma pata você
arranca
será que a
bichinha manca?
E responda antes
que eu esqueça
se existe o bicho
de cem pés
será
que existe algum de cem cabeças?
COLASANTI, Marina.
Fonte: Cada bicho seu capricho.
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