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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

O porco


Todo porco tem

Corpo de corpo.


Porque porco.

Só tem corpo.


Porco mesmo,

Tem um pouco


Sem ter corpo

Não tem porco.


Porco a porco

E corpo a corpo.


Sergio Capparelli



Livro: A árvore que dava sorvete. Porto Alegre: Projeto, 1999.

Interpretação do poema "A árvore que dava sorvete" - 4º Ano - Hora de  Colorir - Atividades escolares

Os dentes do jacaré


Resultado de imagem para livro boi da cara preta

De manhã até a noite,
jacaré escova os dentes,
escova com muito zelo
os do meio e os da frente.

– E os dentes de trás, jacaré?

De manhã escova os da frente
e de tarde os dentes do meio,
quando vai escovar os de trás,
quase morre de receio.

– E os dentes de trás, jacaré?

Desejava visitar
seu compadre crocodilo
mas morria de preguiça:
Que bocejos! Que cochilos!

– Jacaré, e os dentes de trás?

Foi a pergunta que ouviu
num sonho que então sonhou,
caiu da cama assustado
e escovou, escovou, escovou.
Sérgio Caparelli

Livro: Boi da Cara Preta. LP&M, 1983.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Elefante no nariz


Se acha perigoso
Um elefante no nariz, 
Pense bem: 
Muito pior 
Quando ele perde o equilíbrio 
E solta um pum.

Sergio Capparelli

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Guaraná com canudinho


Uma vaca entrou num bar
e pediu um guaraná.

O garçom, um gafanhoto,
tinha cara de biscoito.

Olhou de trás do balcão,
pensando na confusão.

Fala a vaca, decidida,
pronta pra comprar briga:

– E que esteja geladinho
pra eu beber de canudinho!

Na gravata borboleta,
gafanhoto fez careta.

Responde: vaca sem grana
se quiser vai comer grama.

– Ah, é?, muge a vaca matreira,
quem dá leite a vida inteira?

– Dou leite, queijo, coalhada,
reclamo, ninguém me paga.

Da gravata, a borboleta
sai voando, satisfeita.

Gafanhoto leva um susto,
acreditando, muito a custo.

E serve, bem rapidinho,

guaraná com canudinho.

CAPPARELLI, Sérgio. 
Fonte: Boi da cara preta.

Vaca amarela

Vaca amarela
fez cocô na panela,
cabrito mexeu, mexeu,
quem falar primeiro
comeu o cocô dela.

Vaca amarela,
sutiã de flanela,
cabrito coseu, coseu
quem se mexer primeiro
pôs o sutiã dela.

Vaca amarela
fez xixi na gamela,
cabrito mexeu, mexeu,
quem rir primeiro
bebeu o xixi dela.

Vaca amarela
cuspiu da janela,
cabrito mexeu, mexeu,
quem piscar primeiro
lambeu o cuspe dela.


CAPPARELLI, Sérgio. 

Fonte: Boi da cara preta.

domingo, 21 de junho de 2015

Esquisitices

Em Jataí
é proibido fazer xixi.

Em Catiporâ
é proibido casar com rã.

Em Jaboticabal
é proibido comida com sal.

Em Salvador
é proibido sentir dor.

Em São Expedito
é probido comer mosquito.

Em Guarabobô
é proibido fazer cocô.

Em Guaxupé
é proibido cheirar chulé.

Em Aquidauir
é proibido proibir.

Sergio Capparelli.

domingo, 15 de agosto de 2010

Canção para ninar dromedário



Drome, drome
Dromedário

As areias
Do deserto
Sentem sono,
Estou certo.

Drome, drome
Dormedário

Fecha os olhos
O beduíno,
Fecha os olhos,
Está dormindo.

Drome, drome
Dromedário

O frio da noite
Foi-se embora,
Fecha os olhos
Dorme agora.

Drome, drome
Dromedário

Dorme, dorme,
A palmeira,
Dorme, dorme,
A noite inteira.

Drome, drome
Dromedário

Foi-se embora
O cansaço
E você dorme
No meu braço.

Drome, drome
Dromedário

Drome, drome
Dromedário

Drome, drome
Dromedário.



Sérgio Capparelli

O que é mãe?


Mãe? O que é mãe?
Pessoa doce?
Tão doce
Que faz passar vergonha
Doce de batata-doce?

Mãe? O que é mãe?
Tão doce
Que se parte
Quando parte,
Melhor seria
Se não fosse.

Mãe? O que é mãe?
Luz muito clara,
Tão clara
Que nos aclara
E, afagando,
nos ampara?

Mãe? O que é mãe?
Tão doce? Tão severa
Se a gente erra!
E que empurra
Se tudo emperra.
Mãe severa?
Mãe doce?
Ou mãe fera?

Nesse teu dia
Te dou jasmim,
Te dou gladíolos,
Te dou beijim,
Assim assado,
Assim, assim.

Sérgio Capparelli

sábado, 31 de julho de 2010

Primavera

Pára a chuva
A terra acorda
E arruma a casa.

Acende rosas,
Abre dálias
E pinta hibiscos.

Atráss do morro
O céu desponta,
É madrugada.

Sérgio Capparelli

O pessegueiro

Meus galhos
Sobem até o vidro da tua janela
E pedem para entrar.

E ali ficam:
O vento empurra as estações
E pinta de branco meus cabelos.

De vez em quando,
Vejo caírem lentamente
As flores do pessegueiro.

Sérgio Capparelli