segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Segredo

Andorinha no fio
escutou um segredo.
Foi à torre da igreja,
cochichou com o sino.

E o sino bem alto:
delém-dem
delém-dem
delém-dem
dem-dem!

Toda a cidade
ficou sabendo.

Henriqueta Lisboa

Como fazer pipocas

Nenhum de vocês, meninos,
Algum dia pôde ver
Como se fazem pipocas?
Pois, então, eu vou dizer:

Pega-se o milho branquinho,
Na panela se coloca,
Por sobre o óleo fervente.
(É assim que se faz pipoca.)

Quando o milho está lá dentro,
Deve a panela ficar
Bem fechada, pois, senão,
Todo o milho vai saltar.

Daí a pouco, escutamos,
Na tampa, fortes batidas:
São as pipocas que pulam
Prontas pra serem comidas.

Tiradas da caçarola,
Sal nós vamos polvilhar,
E, depois - última etapa -
Só precisamos provar.

Entretanto, se quiserem
Comer pipocas de um modo
Mais cômodo, mais ligeiro,
É fácil: cheguem à calçada
E...chamem o pipoqueiro.

Maria de Lourdes Figueiredo

Corrente de formiguinhas

Caminho de formiguinhas
fiozinho de caminho.
Caminho de lá vai um,
atrás de uma lá vai a outra.
Uma duas argolinhas,
corrente de formiguinhas.

Corrente de formiguinhas,
centenas de pontos pretos,
cabecinhas de alfinete
rezando contas de terço.
Nas costas das formiguinhas
de corentinhas fininhas
Pesam grandes folhas mortas
que oscilam a cada passo.
Nas costas das formiguinhas
que lá vão subindo o morro
igual ao morro da igreja,
folhas mortas são andores
Nesta Procissão dos Passos.

Henriqueta Lisboa

sábado, 31 de julho de 2010

Primavera

Pára a chuva
A terra acorda
E arruma a casa.

Acende rosas,
Abre dálias
E pinta hibiscos.

Atráss do morro
O céu desponta,
É madrugada.

Sérgio Capparelli

O pessegueiro

Meus galhos
Sobem até o vidro da tua janela
E pedem para entrar.

E ali ficam:
O vento empurra as estações
E pinta de branco meus cabelos.

De vez em quando,
Vejo caírem lentamente
As flores do pessegueiro.

Sérgio Capparelli

Cuidando da natureza

Vamos cuidar
Da mãe Natureza
Preservando a vida
Do nosso Planeta.

Não desperdicem água
Para não faltar
Separe todo lixo
Para reciclar.

Não destruam as matas
Árvores e flores
Que enfeitam o mundo
Com as suas cores.

Não poluam o ar
Isso não é legal
Na certa vai causar
O aquecimento global.

Vamos trabalhar
Nessa tarefa urgente
Para preservar
O nosso meio ambiente.






Leila Maria Grillo

Baile no sereno

Cantador canta tristeza,
canta alegria também.
É de sua natureza
cantar o mal e o bem.
Pois ele tem dentro dele
o canto que o canto tem...

Por isso, se o mar secar,
se cobra comprar sapato,
se cachorro virar gato,
se o mudo puder falar,
Se a chuva chover pra cima,
se barata for grã-fina,
Quando o embaixador for em cima,
Cantador vai se calar.

Ruth Rocha

Patrulha Ecológica

Ei, Coronel,
Cabeça de papel!
Deixa de moleza
E cuida da natureza!
Quem derrubou a mata?
Quem os peixes mata?
Quem polui o mar?
E envenena o ar?
Um, dois, três, quatro!
Salva peixe,
salva bicho,
Salva gente,
Salva mato!
Cinco, seis, sete e oito!
Depois da vigília
Café com biscoito.

Maria Dinorah

Pião


Um pião se equilibra
na palma da mão,
no chão, na calçada,
e alado vai rodando
por cima dos telhados,
gira entre as nuvens,
cada vez mais alto,
até que num salto
alcança a lua
e rola
até o seu lado oculto.
Faz a curva o pião
e ruma para Saturno,
tropeça nos anéis,
dá três cambalhotas,
se pendura
numa estrela cadente
e, sem graça,
volta para a palma da mão.

Roseana Murray

O Caderno

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...

Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...

Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...

O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...

Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer...



Toquinho

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Boneca

Deixando a bola e a peteca, 
Com que inda há pouco brincavam, 
Por causa de uma boneca, 
Duas meninas brigavam.

Dizia a primeira: "É minha!" 
—  "É minha!" a outra gritava; 
E nenhuma se continha, 
Nem a boneca largava.

Quem mais sofria (coitada!) 
Era a boneca. Já tinha 
Toda a roupa estraçalhada, 
E amarrotada a carinha.

Tanto puxaram por ela, 
Que a pobre rasgou-se ao meio, 
Perdendo a estopa amarela 
Que lhe formava o recheio.

E, ao fim de tanta fadiga, 
Voltando à bola e à peteca, 
Ambas, por causa da briga, 
Ficaram sem a boneca ...

Olavo Bilac                                                     


O que é bom


"Ler (na escola ou no lar)
É melhor do que estudar."

Estudar pode ser chato -
Aprender é um barato!

E por isso que é bom ler
Distrair-se e aprender.

A leitura é uma alegria -
Livro é supercompanhia.

Triste, alegre ou esquisito.
Mesmo feioso é bonito.

Ser leitor é uma esperteza
Livro sempre traz riqueza.

Riso, medo, emoção -
Ler faz sempre bem pro coração!

E também é bom à beça
Para a alma e a cabeça!

Tatiana Belinky (em homenagem a Ziraldo)

sábado, 6 de março de 2010

Ovo de coelho

Coelho não bota ovo,
quem bota ovo é galinha.
Mas eu conheço um coelho
que é mesmo uma maravilha.

Os ovos que ele bota
você nem imagina.
São ovos de chocolate
ou ovos sabor baunilha.

Por isso, nosso coelho
foi expulso da família.
O pai dele disse: - meu filho,
isso é coisa de galinha.

O coelho respondeu rapidamente:
- meu pais eu não tenho culpa,
botar ovo é meu destino.
Se não posso botar ovo em casa,
prefiro botar sozinho.

E foi assim que o coelho
saiu de casa para a rua
botando ovo na Páscoa
no sonho de todo mundo.

Paulo Leminski

Casa de amigo

Na casa do amigo
os móveis flutuam
a um palmo do chão.

O ar é mais leve:
em cada recanto
os pássaros tecem.

Na casa do amigo
todas as confidências
são permitidas.

Todas as palavras
são entendidas
tão facilmente,
que é como água
falando com água.

Na casa do amigo
o coração se alimenta.

Roseana Murray

No mundo da Lua

Lá vai a lua ...
Lá vai ! ...
Boiando ...
Como um limão que flutua.
E eu fico de cá, pensando:
Que haverá dentro da lua?
Mas a lua nem me escuta ...
Fura uma nuvem,
Se esconde .
Surge e se põe a me olhar.
Será que de “esconde-esconde”
Ela está me convidando
Para brincar ?
E a lua continua ...
Lá vai andando,
Lá vai !
- Ninguém a está segurando ...
Por que é que a lua não cai ?

Martins D'Alvares

O pirata

O menino brinca de pirata:
sua espada é de ouro
e sua roupa de prata.
Atravessa os sete mares
em busca do grande tesouro.
Seu navio tem sete velas de pano
e é o terror do oceano.
Mas o tempo passa e ele se cansa
de ser pirata.
E vira outra vez menino.

Roseana Murray
No mundo da lua.
Belo Horizonte: Miguilim.[s.d.] p.23 (Coleção Bem-te-vi)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Bicho

Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos
Quando achava alguma coisa
Não examinava nem cheirava
Engolia com voracidade
O bicho não era um cão
Não era um gato
Não era um rato
O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

Nova regra

Mataram o acento,
Assassinaram o hífen,
Agora sentem-se no assento,
que lá vem nova regra.
A onomatopeia ficou muda,
A assembleia, sem assunto,
A centopeia perdeu as pernas
e a ideia saiu da minha cabeça
Tadinha da velha senhora,
Que agora não sabe de nada
E o senhor?!
Que horror!
As crianças estão confusas,
Sem saber
o que fazer
para a nova regra aprender.

Escrito por Theodora Rangel Carvalho, de 11 anos e que cursa 6º ano do Ensino Fundamental
Se eu armo o circo, é pra te ver sorrir.
E banco o palhaço em troca de abraço.
E perco o cansaço em busca de bis.
Na corda bamba, um bobo insensato.
Na troca do ato, um tolo feliz.
Se eu caio na rede, é por não voar.
E piso no espaço com breve embaraço.
E teço o compasso com gosto de anis.
No erro do braço, um tropeço.
No traço tentado, um triz.
Se eu armo o circo, é pra te ver sorrir.
Se eu armo o circo, é pra te ver.
Se eu armo o circo, é pra ti.

Cassiano Rodka

A Máquina de brincar

Brincar não é brinquedo!
Tem mil e um segredos.
Um lápis é um soldado.
Uma caixa, casinha.
Já o jornal, recortado,
Coroa até rainha.

É séria essa série
de mágicas brincadeiras.
A boca, uma sirene.
A mão, uima batedeira.
O corpo se transforma.
Duas asas são os pés.

E os braços, a muralha
De um castelo amoroso.
Brincar de amor só pode
Se o beijo foi sonhado.

Não vale empurrar,
Legal mesmo é ter em tudo que é lugar.

Autor desconhecido
Menino que mora num planeta azul feito a cauda de
um cometa quer se corresponder com alguém de outra
galáxia.
Neste planeta onde o menino mora as coisas não vão
bem assim: o azul está ficando desbotado e os
homens brincam de guerra.
É só apertar um botão que o planeta Terra vai pelos
ares...
Então o menino procura com urgência alguém de
outra galáxia para trocarem selos, figurinhas e
esperanças.

Habitante de outra galáxia aceita corresponder-se com
o menino do planeta azul.
O mundo deste habitante é todo feito de vento e
cheira a jasmim.
Não há fome nem há guerra, e nas tardes perfumadas
as pessoas passeiam de mãos dadas e costumam rir à
toa.
Nesta galáxia ninguém faz morte, ela acontece
naturalmente, como o sono depois da festa.
Os habitantes não mentem, e por isso os seus olhos
brilham como riachos.
O habitante da outra galáxia aceita trocar selos e
figurinhas e pede ao menino que encha os bolsos de
esperanças, e só os bolsos, mas também as mãos,
e os cabelos, a voz, o coração, que a doença
do planeta azul ainda tem solução.

Roseana Murray.

Falta alguma coisa

Namoro sem beijo,
Pizza sem queijo.

Verão sem som
Frio sem cachecol.

Chuveiro sem ducha,
Vassoura sem bruxa.

Bodas sem amor,
Bolo sem sabor.

Futebol sem bola,
Bolo sem sabor.

Sela sem cavalo,
Sino sem badalo.

Onda sem espuma,
Edredon sem pluma.

Telhado sem casa,
Avião sem asa.

Urubu sem pena,
Rádio sem antena.

Sola sem sapato,
Queijo sem rato.

Tv´s sem novela,
Cravo sem canela.

Piscinão sem água,
Saia sem anágua.

Com tanto defeito
Gente, nada feito!

Tatiana Belinky

Pessoas são Diferentes

São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...

Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!

Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.

Uma gosta de gelados,
A outra gosta de quentes.

Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.

Não queira que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas,
Mas são muito diferentes!

Ruth Rocha

Leilão de jardim

Quem me compra um jardim
com flores?

Borboletas de muitas
cores,

lavadeiras e pas-
sarinhos,

ovos verdes e azuis
nos ninhos?

Quem me compra este ca-
racol?

Quem me compra um raio
de sol?

Um lagarto entre o muro
e a hera,

uma estátua da Pri-
mavera?

Quem me compra este for-
migueiro?

E este sapo, que é jar-
dineiro?

E a cigarra e a sua
canção?

E o grilinho dentro
do chão?

(Este é meu leilão!)

Cecilia Meireles

Meus brinquedos

De repente
Ao lembrar dos brinquedos queridos
Que ficaram esquecidos
Dentro do armário
Me bate uma saudade
Me bate uma vontade
De voltar no tempo
De voltar ao passado
Mas nada acontece
Nada parece acontecer
E eu choro
Choro como o bebê que fui
E a criança que quero voltar a ser
Não quero crescer!

Clarice Pacheco

Gente tem sobrenome

Todas as coisas têm nome:
Casa, janela e jardim
Coisas não têm sobrenome
Mas a gente sim.

Todas as flores têm nome:
Rosa, camélia e jasmim
Flores não tem sobrenome
Mas a gente sim.

O Chico é Buarque
Caetano é Veloso
O Ary foi Barroso também
Entre os que são Jorge
Tem o Jorge Amado
E outro que é o Jorge Ben.

Quem tem apelido
Dedé, Zacarias,
Mussum e a Fafá de Belém
Tem sempre um nome
E depois do nome
Tem sobrenome também.

Todo brinquedo tem nome:
Bola, boneca e patins.
Brinquedos não têm sobrenome
Mas a gente sim.

Coisas gostosas têm nome:
Bolo, mingau e pudim.
Doces não têm sobrenome
Mas a gente sim.

Renato é Aragão
O que faz confusão
Carlitos é o Charlie Chaplin
E tem o Vinicius
Que era de Moraes
E Tom brasileiro é Jobim

Quem tem apelido
Zico, Maguila,
Xuxa, Pelé e He-man
Tem sempre um nome
E depois do nome
Tem sobrenome também!

Toquinho

Pontinho de vista

Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
- Minha nossa, que grandão!

Pedro Bandeira

terça-feira, 3 de março de 2009

Lembranças

Daqui e dali
reúno lembranças!
Um rio que ri,
um monge de tranças.

A gata Sofia
com sete gatinhos.
A noite vadia
cantando os sapinhos.

Vestida de zorro
gritando o Alaor:
Socorro! Socorro!
Um rato! Que horror!

A gaita esquisita
do Zé-Tudo-Toca.
O laço de fita
da amiga dondoca.

Marrecos, estrelas,
lembranças sem fim,
que bom poder vê-las
passando por mim!

Maria Dinorah

Se você for inventor invente

Um creme
que tire ruga
de pescoço
de tartaruga.

Um pente
que penteie sozinho
lombo
de porco-espinho.

E um lenço
forte bastante
para assoar tromba
de elefante.

José Paulo Paes
Lé com Cré.
São Paulo: Ed. Ática

Autor desconhecido

Sejam amigos
Sem nunca parar
É uma maravilha
Saber ler, escrever, falar
Adeus e boa viagem
Diz o sol brilhante e quente
Não parem de ensinar
Muita gente, toda gente.

Meu álbum

Meu álbum tem tantas coisas,
Lembranças de estimação.
Ele tem um pouco de tudo
Que guardo no coração.

Nele estão meus achados,
Tanta, tanta descoberta!
Tem poema, tem canção,
E um bilhete escrito a mão.

Tem tudo o que eu gosto muito,
Coisas da imaginação.
Por isso é que ele é
Meu álbum de recordação.

Vitor Souza

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O girassol

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel.

"Roda, roda, roda carrossel
Gira, gira, gira girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol."

Vinicius de Moraes